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Núcleo Stephens

Marinha Grande e a Origem do Vidro - Núcleo Stephens

João Beare, Guilherme Stephens, João Diogo Stephens: três nomes fundamentais para a história do vidro, para a história da Marinha Grande.


Já no século XV teria aqui sido instalado um pequeno forno para apoio da reparação dos vitrais do Mosteiro da Batalha. A história começa a ganhar contornos mais sólidos, porém, quando, em 1748, o irlandês Beare transfere para aqui a fábrica que explorava em Coina. Cabe então, em 1769, ao inglês Guilherme Stephens, beneficiado por Alvará de D. José e com todo o apoio do Marquês de Pombal, fazer ressurgir a Fábrica e dar-lhe a prosperidade e o prestígio que deram à Marinha Grande o título de Capital do Vidro. O seu sucessor vai ser o irmão, João Diogo, mas também gerações e gerações de marinhenses - por nascimento ou por afecto - que se dedicam a fazer do vidro uma indústria e uma arte.

   
Foto Marisa Vieira

Nascida do berço que foi a Real Fábrica de Vidros, também chamada de Nacional e de Fábrica-Escola, a Marinha Grande continua o seu crescimento ao longo dos tempos, enveredando pela implantação e desenvolvimento de várias actividades industriais, primeiro o vidro, a exploração e transformação dos recursos naturais (madeira, minerais e materiais pétreos) e mais recentemente o fabrico de moldes, plásticos, mobiliário, material eléctrico e embalagem em cartão.

São dois séculos e meio de história e de muitas lutas: a luta pela riqueza, pela dignidade humana, a luta pelo crescimento económico e pela liberdade.

 Núcleo Stephens   Com engenho e arte resulta um vasto património industrial e cultural, que é o rosto e a expressão da cidade onde todos os dias o vidro ganha forma, cor e vida.

Atrás do pesado portão de ferro, entra-se num belo jardim que tem, à sua direita, o núcleo fabril da Fábrica de Stephens e um edifício de laboratório, hoje ocupado pela Escola Profissional e Artística da Marinha Grande. Em frente, está o antigo edifício administrativo, onde está instalada a Biblioteca Municipal. À esquerda, o Palácio Stephens, que alberga o Museu do Vidro.

 

A principal praça da Marinha Grande - a Praça Guilherme Stephens onde se destaca o edifício dos Paços do Concelho - tem no centro o busto de Guilherme Stephens, da autoria de Luís Fernandes. Inaugurado em 1941, trata-se de uma homenagem de todos os trabalhadores da Fábrica Nacional, que se quotizaram para o pagar. Destacam-se também nesta praça, o teatro e o mercado municipal (antiga fábrica de resinagem). Convergem na praça uma série de ruas comerciais reservadas à circulação de peões.