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Vidro - O Frasco do Vidreiro



Quando Guilherme Stephens resolveu pôr em laboração a manufactura de vidros na Marinha Grande, encontrou condições para o bom êxito da sua iniciativa.

John Beare havia transferido para esta localidade trabalhadores formados em Coina, ferramentas de trabalho, técnicas de composição do vidro e catálogos das peças. Deixou também vidros já fabricados que tinha em stock.

São dois os catálogos que se conhecem. Pertencem à família J. Ferreira Custódio e foram incorrectamente datados de 1772. Na realidade, foram constituídos ao longo da história da manufactura de Coina e da sua transferência, tal como se confirma pelos resultados dos achados arqueológicos.

Contudo, Stephens mandou proceder à actualização dos preços. Os catálogos eram apoiados por uma pauta datada de 21 de Junho de 1772, que se encontra no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

A garrafa do vidreiro figura nos dois catálogos com o nome de FRASCOS CHATOS, pois eram achatados no bojo para se poderem meter em bolsos largos. Eram garrafas para vinho de meio quartilho, quartilho, meia canada, canada e duas canadas. Custavam respectivamente 70, 100, 160, 300 e 480 reis.

Este frasco chato imortalizou-se na vida quotidiana do operário vidreiro. Antigamente era muito habitual os operários comerem no local de trabalho. O calor dos fornos alterava a normal laboração. O operário precisava de beber e a garrafa estava à mão. Quando almoçava com a marmita, ele segurava a garrafa pela marisa ( gargalo feito à mão), entre os dedos indicador e médio e levava-a à boca. O facto de ser chata facilitava a sua utilização, pois era prática.A garrafa do vidreiro não era de cristal, pois a composição com óxido de chumbo tornava o vidro um produto caro, utilizado por outras mesas.

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2430 - 958 Marinha Grande (frente aos estaleiros da CMMG)
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